sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Hai Kai s novos (já estão bem antiguinho)


Chuva tristonha,

as palavras desarrumam

o que o coração sente

A rede conecta

o coração desconecta

e reforma teias conexas


Intermináveis passos: Vida
a realidade é mais difícil
do que a ilusão a sós


Sábia natureza
O animal espreita
A esperança é humana


A mente furunga
O coração galopa
A harmonia é divina


Se Deus perfuma o
meu coração tudo
o que faço é verdade



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

AMIGOS



Prosa poétia extraida
 do REMEMORO
Um dia
por causa de uma companhia
os meus amigos me abandonaram

antes,
por causa da minha descontrolada energia
na compreensão da política
quase me abandonava a família

hei de recuperá-los
sofrerei por buscá-los

mostrarei de que atalhos
e retalhos
se recomeça

que bobagem
esforço vão
separar o inseparável
a coisa,
da mesma coisa

não digo que voltem
eu vou
me dou

tempo virá
que o homem compreenderá
a inutilidade da solidão
a necessidade do perdão
a urgência dum aperto de mão

escrevo pra eles
pois sem eles não há razão
não há como
estabelecer conexão
a roda
espiral
o elo de ligação
com O Cérebro
A Grande Inteligência
O Comando
do Globo
do Planeta
da Vida
Universo
só visível
encontrável
no sorriso
amigo

dos irmãos

domingo, 2 de agosto de 2015

DEPOSITO TIPO SÓTÃO, OU TALVEZ PORÃO.


Comportamentos adequados para um mundo pior:




A nojentice esnobenta do Lulu Santos;
A putice inteligente do Caio Fernando Abreu;
A arrogância intelecto-postural do Fernando Gabeira;
A canalhice cara-de-pau do Fernando Collor de Mello;
A viscosidade mafiosa do Dr. Roberto Marinho;
A profusão de idéias fantásticas, mas inúteis, do Millôr Fernandes;

A descrença,
a falta de esperança,
a animosidade permanente com os desafetos,
as doses excessivas do sarcasmo do Clodovil,
a ironia e o exibicionismo dos artistas,
a falta de humildade
o materialismo
os ismos todos
e a treva da ignorância, bruta ou pedante,
que mata a vida
que estertora,
ofegante


PS:estas coisas eu as escrevi a muitíimos anos atras... a época era outra! Eu mudei muito. O mundo mudou. Hoje eu gosto do Lulu, quem sou eu para julgar o Caio Fernando Abreu. Isso me cheira a ciúmes, o Clodovil era um gênio exêntrico do qual sinto saudades. E os artistas, os mais exibido de todos, como o Falabella e outros inspirados, são sensacionais, precisamos deles para que a vida seja melhor. Já os conceitos que vem a seguir, muitos continuam verdades imorredouras.





EXILADO

O exílio te fez prepotente!
E a mim impotente,
quase,
de tanto fumar maconha e trago...

Te esperei tanto
e quando chegaste,
nada,
nada davas,
nem ensinavas
e tomavas tudo,
até as mulheres roubavas!

Sei porque foste,
mas não porque voltaste.
Se só pra matar as saudades,
bobagem!...
melhor tivesses ficado,
aprendendo mais calor,
pois sem amor não se vence combates.

Como pensas que pudeste voltar?
Aqui dentro se combateu!
No negror dos tempos,
no sufoco de um país ocupado!
Os gorilas ficaram,
ávidos de sangue, lembras?
Deixaste-os pra nós,
para que os domássemos!

... Não lembras nada!
Não sabes nada!
Voltaste há anos!
Hoje comandas a nação
e tudo continua igual,
ou pior do que antes!
— Quanto vales?
— Zero!!
Inventou o Gordo,
valente Gordo
que nos fazia rir,
naqueles tempos soturnos
da ditadura dos coturnos,
aqui bem dentro
do país Brasil.

José Vítor Centeno
Ilha de Santa Catarina








PRAIA DO ROSA

Sol e chuva de verão.
As folhas das bananeiras pingam.
A sala, a porta, o verde, o pátio.







ROZO MARBORDO

Suno kaj somero pluvo.
Bananarboj folioj gutas.
Verda, îambro, pordo, korto.



José Vítor Centeno
Insulo de Sankta Katarina.













No tempo sem tempo,
o céu e o mar encontraram-se,
inundando a terra de azul.























A música bateu fundo no meu coração.
Alçou vôo a pomba,
à procura do impossível.












Vida normal:

contar as horas.
protelar.
não ser feliz.




Anjo


Um dia apareceu-me um anjo
e eu perguntei ao anjo:
- Que queres, anjo, tu de mim?
E antes que ele respondesse
eu fugi,
corri até a farmácia,
comprei algodões,
tapei os ouvidos
e voltei ao anjo,
para usufruir.







Velha guarda


Lupicínio, cínio, cínio,
    dono da noite e do botequim.


Noel Rosa
     O intelectual subiu o morro e virou negro.


Pixinguinha, gênio beiçudo
     e sisudo.


Ciro Monteiro, sorriso de mel
     e samba no pé.


Ataulfo Alves,
      O morro com diploma de bacharel.


Vicente Celestino.
       Justiça aos ébrios!


Wilson Batista.
      Neguinho bom paca.


Donga.
     No Cassino a mão desliza suave
                sobre o pano verde.


Vinicius de Moraes,
     O chefe da tribo dos poetas brasileiros.


Tom Jobim,
      imortal.


Nelson Cavaquinho,
      meu trinstonho ídolo.







  
Como cobra



Dizer
sou mar de águas claras
sou filho do raio, trovão,
isto e aquilo,
forte,
canhão,
me embaraça...

Tenho alma grupal,
marxismo genital,
altruísmo aquariano!...
e me quebro inteiro,
sempre,
no mundo paradoxal das formas,
da competição nacional,
sociedades brutais,
lideranças espúrias!...

Atento, fico...
observando...
instintivo...
como cobra, no limiar do bote...
Um dia,
mato um...
Cruz credo!!









Poesia de Passagem



A milionésima mulher
que encontrei num ônibus,
e à distância amei,
surpreendeu os meus velhos valores.
Veio falar-me!...
E disse-me que como eu,
estava infeliz,
e só,
e intranqüila...







José Vítor Centeno
Ilha de Santa Catarina.
I
Ilmo. Sr. Juiz.
















                                                        Solicito, pela presente, e tendo em vista motivos de ordem estritamente particular (talvez temperamental), a redução da carga horária do meu regime de casamento, para meio expediente, ou um expediente de um turno só.

                                                        Ciente e concorde, desde já, com a legal redução em 25% (vinte e cinco por cento) dos benefícios advindos do regime de casamento integral, subscrevo-me,







 Atenciosamente.














A MULHER DE PEIXES

Deusa misteriosa,
não sofras mais!
Deixa esse altar de sacrifícios
e abraça-me forte,
que tens o afeto
maior do mundo,
e ensina-me o segredo,
o canal para o Divino.

















TEMPO DE AMOR

Novamente, o tempo do amor!
Penso nela.
Outra vez: sorrir, amar, sofrer, chorar.



























AMOR

Saciado, te amo pouco;
tarado, muito...
louco!

 TA

Eu tinha dois mortos.
Inesperadamente,
acrescentaram-me mais quatro!











DIFERENÇAS MÍNIMAS.


Falas muito, poeta inteligente,
filho plutocrata,
brilho cultural
e dependente.
Somos diferentes!...
Procuro o pouco,
a palavra mínima,
libertadora do medo,
agradável e generosa,
cósmica e não pedante,
nem científica  ou petulante!...
Como simples, ignorante,
escorregadelas piegas
em mordiscadelas,
incomodam-me as canelas.





FELICIDADE 1 (verbo-ocidental)

Felicidade
é dia de domingo,
jogo da seleção,
dia de eleição,
queda da ditadura,
flerte,
tesão,
campanha,
vida sem confusão;

criança,
compreensão,
pai e mãe,
casa,
mesa posta,
refeição;

é Jesus,
a mão de Deus na hora grave,
quando tudo rui e ficamos sós,
absolutamente sós...

É um banho quente,
chocolate,
pipoca com melado,
bicho de estimação.

Sou eu,
despido do ego,
confiante na vida,
passeando num campo,
como o quero-quero,
no dia em que o Inter
fez um a zero
no Fluminense;
liberto de medos,
indiferente.
O quero-quero estava ali
                     para que eu o visse,
e fizesse isto:
dois poemas de felicidade,
de ode à vida,
de canto e grito,
entusiasmo e calmaria,
paz,
mas com gol,
energia atômica transcendente,
varando a faixa demente,
saltando a linha suicida,
de beta pra alfa,
alegria!....
        Alegria!...









FELICIDADE 2

Felicidade é tarde de domingo,
dia de futebol,
de sol amor e gol.

















NEM TODO

Nem todo homossexual é puto,
embora a bunda dão,
mas heteros viados hão,
e abundam, não?





NO SUBURBIO




Nos fios de luz do subúrbio,
pendurados rabos de pipas flutuam;
e a rua, alongada, desconhecida,
arranca-me saudades escondidas,
de quando?... de quando?...









NO SUBÚRBIO 2


A procura do ninho,
um casal de passarinhos
pousou no telhado.


A casa era azul,
o céu era azul,
e eu esperava.


Olhava o dia
e sabia;
olhava a casa
e sonhava.

imagina!











PARA SORRIR.


A luz e a sombra,
o mais e o menos,
tudo o que sabemos
e o que não sabemos;
o bem e o mal,
o tudo e o nada,
o barro e a flor;
doença, dor,
amor e desamor;
o ponto e a reta,
a vida correta,
a bagunça,
quando o crime começa,
estão nos limites que são a vida.
Isso precisamos compreender,
vivendo,
tanto quanto dominar,
morrendo.









CONCURSOS DE POESIA


Quem da mais?!
Quem da mais?!
Por um coração quebrado,
roto,
 amarrotado!


























PONTE HERCÍLIO LUZ

Vidpunkto mia!
Nokte!
Matene!
Vespere!

Subponte,
îiam.
SINAIS DOS TEMPOS

Acabou-se a festa!
A beleza pifou!
Pararam as valsas!
O rock vingou!

As guerras, as bombas,
terremotos, vulcões,
o ecosistema, as flores,
tudo, mas tudo “dançou”!

Quem tem a resposta?
Quem tem?
Sim, meu irmão, é horror!
Veja na tela da sua TV!
Veja na rua!
Que país!? Não tem país!
É no globo! É a Terra toda que fede,
treme, promíscua!...
É miséria!... Miséria!...

As drogas prolongam,
em vícios hediondos,
o escarro do tempo...
geme-se, enfim,
de dor ou prazer...

Óh cega humanidade!...
Derrotada pela ilusão da matéria!

Óh falidas ou fanatizadas religiões!
E agora?

Óh ciência ridícula,
inchada do fermento fariseu!
Pobre coitada!
Serás impotente, frente ao vagalhão.

Ai de nós, mortais,
se não rendermos graças ao Senhor!

Mas que Senhor?!
O do que falo é Amor,
que esta acima do rancor
e não é árabe ou judeu,
americano ou europeu;
do que está acima dos livros e
paira por sobre os mitos;
do que está além dos rios, dos  raios,
das chuvas e dos trovões;
está nos mares e não está;
está nos ares e não está;
é gente, é bicho, é ser e não ser,
pois nada Dele há, que se possa dizer!
É uma Nave!?
Um novo código genético?!
O fim do carma?!
Um remédio?!
Uma nova casa, outra Era?!
Que importa?
Simplesmente é, ou não é...

Talvez Atenção,
possa ser o seu nome,
                 nesta nova edição.

Atenção aos sinais,
Atenção aos símbolos e
            a todos os canais!

Ouvir o alarme dum carro,
                    estridente a gritar,
mas com ouvido bem fino,
não perder pássaros a trinar.

Olhar o burguês boçal
                no seu carraço a passar e,
bem,
deixar pra lá,
virar-se pra si mesmo
                        e perguntar:
- Que tal? Não te sobraria um tempo
                               pra organizar,
comprar cadernos,
alfabetizar?!
Crianças, pobres ou velhos!
Ir num asilo ajudar!?

Ou então sentar com Atenção,
concentrar-se no eixo da Terra,
conectar com irmãos, que num
                            pensamento grandioso,
desde o Tibete
              ao mais ínfimo grotão,
rezam,
com Atenção,
para que o tranco não seja forte
e não se perca o timão
encarando essa coisa forte,
desconhecida
- a não ser de nome -
que este sim conhecemos,
pois vulgarmente
             a chamamos,
simplesmente de Morte.,
a morte que vem,
inexoravelmente, vem.













O CANTO DO BEM-TE-VI


Que tinha de diferente
o canto do bem-te-vi?
Eu soube que era um aviso
                              de Deus,
que vinha dali.

O arrepio não foi no corpo,
falou-me à alma -
pediu-me calma
              confiança e fé.

Levantei-me atento
           e fui tomar meu café.



NÃO ERA TEU



Não era teu,
era meu,
um certo tio Aristeu.

Porque gostava do cara,
à ponto de poetá-lo,
não explico pela razão;
um sentimento profundo,
o jeito de churrascar,
a vibração colorada
e um tango no caminhar.

A piscadela no olhar,
talvez,
uma cumplicidade...
e o luar,
de Porto Alegre ao Chuí,
território particular.

Meio grosso,
meio guasca,
gaúcho de arrebentar,
mas simples,
sincero mirar,
e um aperto de mão,
um abraço forte,
de arrebentar!


José Vítor Centeno

Ilha de Santa Catarina.