Comportamentos
adequados para um mundo pior:
A nojentice esnobenta do Lulu Santos;
A putice inteligente do Caio Fernando
Abreu;
A arrogância intelecto-postural do
Fernando Gabeira;
A canalhice cara-de-pau do Fernando
Collor de Mello;
A viscosidade mafiosa do Dr. Roberto
Marinho;
A profusão de idéias fantásticas, mas
inúteis, do Millôr Fernandes;
A descrença,
a falta de esperança,
a animosidade permanente com os
desafetos,
as doses excessivas do sarcasmo do
Clodovil,
a ironia e o exibicionismo dos artistas,
a falta de humildade
o materialismo
os ismos todos
e a treva da ignorância, bruta ou
pedante,
que mata a vida
que estertora,
ofegante
PS:estas coisas eu as escrevi a muitíimos anos atras... a época era outra! Eu mudei muito. O mundo mudou. Hoje eu gosto do Lulu, quem sou eu para julgar o Caio Fernando Abreu. Isso me cheira a ciúmes, o Clodovil era um gênio exêntrico do qual sinto saudades. E os artistas, os mais exibido de todos, como o Falabella e outros inspirados, são sensacionais, precisamos deles para que a vida seja melhor. Já os conceitos que vem a seguir, muitos continuam verdades imorredouras.
EXILADO
O exílio te fez prepotente!
E a mim impotente,
quase,
de tanto fumar maconha e trago...
Te esperei tanto
e quando chegaste,
nada,
nada davas,
nem ensinavas
e tomavas tudo,
até as mulheres roubavas!
Sei porque foste,
mas não porque voltaste.
Se só pra matar as saudades,
bobagem!...
melhor tivesses ficado,
aprendendo mais calor,
pois sem amor não se vence combates.
Como pensas que pudeste voltar?
Aqui dentro se combateu!
No negror dos tempos,
no sufoco de um país ocupado!
Os gorilas
ficaram,
ávidos de sangue, lembras?
Deixaste-os pra nós,
para que os domássemos!
... Não lembras nada!
Não sabes nada!
Voltaste há anos!
Hoje comandas a nação
e tudo continua igual,
ou pior do que antes!
— Quanto vales?
— Zero!!
Inventou o Gordo,
valente Gordo
que nos fazia rir,
naqueles tempos soturnos
da ditadura dos coturnos,
aqui bem dentro
do país Brasil.
José Vítor Centeno
Ilha de Santa Catarina
PRAIA DO ROSA
Sol e chuva de
verão.
As folhas das
bananeiras pingam.
A sala, a
porta, o verde, o pátio.
ROZO MARBORDO
Suno kaj somero
pluvo.
Bananarboj folioj
gutas.
Verda, îambro,
pordo, korto.
José Vítor Centeno
Insulo de Sankta Katarina.
No
tempo sem tempo,
o
céu e o mar encontraram-se,
inundando
a terra de azul.
A
música bateu fundo no meu coração.
Alçou
vôo a pomba,
à
procura do impossível.
Vida
normal:
contar
as horas.
protelar.
não
ser feliz.
Anjo
Um dia apareceu-me um anjo
e eu perguntei ao anjo:
- Que queres, anjo, tu de mim?
E antes que ele respondesse
eu fugi,
corri até a farmácia,
comprei algodões,
tapei os ouvidos
e voltei ao anjo,
para usufruir.
Velha
guarda
Lupicínio, cínio, cínio,
dono da noite e do botequim.
Noel Rosa
O intelectual subiu o morro e virou negro.
Pixinguinha, gênio beiçudo
e sisudo.
Ciro Monteiro, sorriso de mel
e samba no pé.
Ataulfo Alves,
O morro com diploma de bacharel.
Vicente Celestino.
Justiça aos ébrios!
Wilson Batista.
Neguinho bom paca.
Donga.
No Cassino a mão desliza suave
sobre o pano verde.
Vinicius de Moraes,
O chefe da tribo dos poetas brasileiros.
Tom Jobim,
imortal.
Nelson Cavaquinho,
meu trinstonho ídolo.
Como
cobra
Dizer
sou mar de águas claras
sou filho do raio, trovão,
isto e aquilo,
forte,
canhão,
me embaraça...
Tenho alma grupal,
marxismo genital,
altruísmo aquariano!...
e me quebro inteiro,
sempre,
no mundo paradoxal das formas,
da competição nacional,
sociedades brutais,
lideranças espúrias!...
Atento, fico...
observando...
instintivo...
como cobra, no limiar do bote...
Um dia,
mato um...
Cruz credo!!
Poesia
de Passagem
A milionésima mulher
que encontrei num ônibus,
e à distância amei,
surpreendeu os meus velhos valores.
Veio falar-me!...
E disse-me que como eu,
estava infeliz,
e só,
e intranqüila...
José
Vítor Centeno
Ilha de
Santa Catarina.
I
I
Ilmo. Sr. Juiz.
Solicito, pela presente, e tendo em vista motivos de ordem estritamente
particular (talvez temperamental), a redução da carga horária do meu regime de
casamento, para meio expediente, ou um expediente de um turno só.
Ciente e concorde, desde já, com a legal redução em 25% (vinte e cinco
por cento) dos benefícios advindos do regime de casamento integral,
subscrevo-me,
Atenciosamente.
A MULHER DE PEIXES
Deusa
misteriosa,
não sofras
mais!
Deixa esse
altar de sacrifícios
e abraça-me
forte,
que tens o
afeto
maior do
mundo,
e ensina-me o
segredo,
o canal para o
Divino.
TEMPO DE AMOR
Novamente, o
tempo do amor!
Penso nela.
Outra vez:
sorrir, amar, sofrer, chorar.
AMOR
Saciado, te
amo pouco;
tarado,
muito...
louco!
TA
Eu tinha dois
mortos.
Inesperadamente,
acrescentaram-me
mais quatro!
DIFERENÇAS MÍNIMAS.
Falas muito,
poeta inteligente,
filho
plutocrata,
brilho
cultural
e dependente.
Somos
diferentes!...
Procuro o
pouco,
a palavra
mínima,
libertadora do
medo,
agradável e
generosa,
cósmica e não
pedante,
nem
científica ou petulante!...
Como simples,
ignorante,
escorregadelas
piegas
em
mordiscadelas,
incomodam-me
as canelas.
FELICIDADE 1 (verbo-ocidental)
Felicidade
é dia de
domingo,
jogo da seleção,
dia de
eleição,
queda da
ditadura,
flerte,
tesão,
campanha,
vida sem
confusão;
criança,
compreensão,
pai e mãe,
casa,
mesa posta,
refeição;
é Jesus,
a mão de Deus
na hora grave,
quando tudo
rui e ficamos sós,
absolutamente
sós...
É um banho quente,
chocolate,
pipoca com
melado,
bicho de
estimação.
Sou eu,
despido do
ego,
confiante na
vida,
passeando num
campo,
como o
quero-quero,
no dia em que
o Inter
fez um a zero
no Fluminense;
liberto de
medos,
indiferente.
O quero-quero
estava ali
para que eu o visse,
e fizesse
isto:
dois poemas de felicidade,
dois poemas de felicidade,
de ode à vida,
de canto e
grito,
entusiasmo e
calmaria,
paz,
mas com gol,
energia
atômica transcendente,
varando a
faixa demente,
saltando a
linha suicida,
de beta pra
alfa,
alegria!....
Alegria!...
FELICIDADE 2
Felicidade é
tarde de domingo,
dia de
futebol,
de sol amor e
gol.
NEM TODO
Nem todo
homossexual é puto,
embora a bunda
dão,
mas heteros
viados hão,
e abundam,
não?
NO SUBURBIO
Nos fios de
luz do subúrbio,
pendurados
rabos de pipas flutuam;
e a rua,
alongada, desconhecida,
arranca-me
saudades escondidas,
de quando?...
de quando?...
NO SUBÚRBIO 2
A
procura do ninho,
um
casal de passarinhos
pousou
no telhado.
A
casa era azul,
o
céu era azul,
e
eu esperava.
Olhava
o dia
e
sabia;
olhava
a casa
e
sonhava.
imagina!
PARA SORRIR.
A luz e a
sombra,
o mais e o
menos,
tudo o que
sabemos
e o que não
sabemos;
o bem e o mal,
o tudo e o
nada,
o barro e a
flor;
doença, dor,
amor e
desamor;
o ponto e a
reta,
a vida
correta,
a bagunça,
quando o crime
começa,
estão nos
limites que são a vida.
Isso
precisamos compreender,
vivendo,
tanto quanto
dominar,
morrendo.
CONCURSOS DE POESIA
Quem
da mais?!
Quem
da mais?!
Por
um coração quebrado,
roto,
amarrotado!
PONTE HERCÍLIO LUZ
Vidpunkto
mia!
Nokte!
Matene!
Vespere!
Subponte,
îiam.
SINAIS
DOS TEMPOS
Acabou-se a festa!
A beleza pifou!
Pararam as valsas!
O rock vingou!
As guerras, as bombas,
terremotos, vulcões,
o ecosistema, as flores,
tudo, mas tudo “dançou”!
Quem tem a resposta?
Quem tem?
Sim, meu irmão, é horror!
Veja na tela da sua TV!
Veja na rua!
Que país!? Não tem país!
É no globo! É a Terra toda que fede,
treme, promíscua!...
É miséria!... Miséria!...
As drogas prolongam,
em vícios hediondos,
o escarro do tempo...
geme-se, enfim,
de dor ou prazer...
Óh cega humanidade!...
Derrotada pela ilusão da matéria!
Óh falidas ou fanatizadas religiões!
E agora?
Óh ciência ridícula,
inchada do fermento fariseu!
Pobre coitada!
Serás impotente, frente ao vagalhão.
Ai de nós, mortais,
se não rendermos graças ao Senhor!
Mas que Senhor?!
O do que falo é Amor,
que esta acima do rancor
e não é árabe ou judeu,
americano ou europeu;
do que está acima dos livros e
paira por sobre os mitos;
do que está além dos rios, dos raios,
das chuvas e dos trovões;
está nos mares e não está;
está nos ares e não está;
é gente, é bicho, é ser e não ser,
pois nada Dele há, que se possa dizer!
É uma Nave!?
Um novo código genético?!
O fim do carma?!
Um remédio?!
Uma nova casa, outra Era?!
Que importa?
Simplesmente é, ou não é...
Talvez Atenção,
possa ser o seu nome,
nesta nova edição.
Atenção aos sinais,
Atenção aos símbolos e
a todos os canais!
Ouvir o alarme dum carro,
estridente a gritar,
mas com ouvido bem fino,
não perder pássaros a trinar.
Olhar o burguês boçal
no seu carraço a passar
e,
bem,
deixar pra lá,
virar-se pra si mesmo
e perguntar:
- Que tal? Não te sobraria um tempo
pra organizar,
comprar cadernos,
alfabetizar?!
Crianças, pobres ou velhos!
Ir num asilo ajudar!?
Ou então sentar com Atenção,
concentrar-se no eixo da Terra,
conectar com irmãos, que num
pensamento
grandioso,
desde o Tibete
ao mais ínfimo grotão,
rezam,
com Atenção,
para que o tranco não seja forte
e não se perca o timão
encarando essa coisa forte,
desconhecida
- a não ser de nome -
que este sim conhecemos,
pois vulgarmente
a chamamos,
simplesmente de Morte.,
a morte que vem,
inexoravelmente, vem.
O CANTO DO BEM-TE-VI
Que tinha de
diferente
o canto do
bem-te-vi?
Eu soube que
era um aviso
de Deus,
que vinha
dali.
O arrepio não
foi no corpo,
falou-me à
alma -
pediu-me calma
confiança e fé.
Levantei-me
atento
e fui tomar meu café.
NÃO ERA TEU
Não
era teu,
era
meu,
um
certo tio Aristeu.
Porque
gostava do cara,
à
ponto de poetá-lo,
não
explico pela razão;
um
sentimento profundo,
o
jeito de churrascar,
a
vibração colorada
e
um tango no caminhar.
A
piscadela no olhar,
talvez,
uma
cumplicidade...
e o
luar,
de
Porto Alegre ao Chuí,
território
particular.
Meio
grosso,
meio
guasca,
gaúcho
de arrebentar,
mas
simples,
sincero
mirar,
e
um aperto de mão,
um
abraço forte,
de
arrebentar!
José Vítor Centeno
Ilha de Santa Catarina.
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