terça-feira, 16 de setembro de 2014

RENDIÇÃO


UM DOS PREMIADOS



Rendo-me à natural análise
efeito dum plantio em borrascas
trovões e ventanias

Rendo-me ao equilíbrio
aceito a fêmea

                 integral

Rendo-me à solidão
translimite galáctico da mente-coração

Rendo-me à pele
aos pés
ao divino tormento do orgasmo
a este momento Deus

ESCUTO






Escuto a chuva.
Doente, na cama, enfim
Percebo o divino silêncio.


domingo, 14 de setembro de 2014

NOTICIAS

A Calcanhoto diz, na musica que escuto agora "quando vem o seu cheiro, dentro de um livro, na cinza das horas..."
eu como um milho verde, só;
tem gente aqui por casa hoje,
mas estão no vizinho.
Companhia boa hoje, não sou.
Até salvei uma futura amiga
de mim mesmo,
pois para não ser inclusivo,
basta apenas dizer a verdade - com antecedência.
Também tenho na frente uma lata de Atum
e uma salada comprada pronta -
coisas que aprendi com  a tua praticidade.
Uma praticidade de holocaustos.
kkkk - a gargalhada das redes sociais - Adoro o novo.
e o novo é o que me salva.
Se querias notícias minhas - aí está.
O novo! Quando nos chega pelas trilhas luminosas
do Caminho Sagrado, compreende as perdas,
suaviza o velho que amamos,
explica até o inexplicável
para que nos ajoelhemos no altar das Verdades,
e choramos as mentiras que vivemos
entendendo a dor que rasga os corações que sangram,
tudo para continuar a vida, com a dignidade dos guerreiros
que perderam a batalha.
Levanto - danço,
por mim e por todos
que somos Um.



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A SOLIDÃO QUE EU AMO










A solidão que eu amo não é o vazio sem nada,
mas conectada à teia
que interliga todas as coisas.

É uma solidão inclusa,
imanente c’ oa natureza toda,
com o canto dos pássaros,
o cheiro da relva molhada,
todas as luzes e cores,
fortes ou apagadas.

A solidão que eu amo é vaga,
amor que eu persigo,
amada nunca encontrada,
e quando dela me acerco
voa o tempo,
escapa-me esse tempo sem tempo...









 Bem, preciso escrever algo sobre esse antigo poema. Talvez seja o que eu mais amo. Sempre relutei em publicá-lo, pois ainda tinha a ilusão de guardá-lo para e somento só, um pequeno novo livro. Tolices de vaidades deste mundo das ilusões. Ontem vi um desenho do Gustavinho, e pedi para que o escaneie, pois quero colocá-lo junto com este poema. Vários destes escritos que aqui os estou depositando vem de um arquivo-livro que na época o chamei de ESVAZIANDO A MALA, nome de um dos poemas. Aliás, meus poemas não são nem bem poemas, mas gosto de chamá-los mesmo de prosa poética, principalmente esses em que me alongo muito. Outra coisa. Creio que a maioria deles foram escritos por volta do 1994.






quinta-feira, 11 de setembro de 2014

POESIA


O momento poético!
talvez uma parada no tempo
calmaria
o medo da falta dos ventos
e junto
uma ânsia
o sentido do explorador
do não poder ficar parado
ir em frente
além dos ventos
e a impossibilidade de movimento
ficar
aceitar
esperar
é isso!
A conjunção poética!
Um sentido interior
de força
de dentro pra fora
e a impossibilidade de mover-se

...lentamente
refletidamente
a mão desliza
vagarosa
em direção à folha
busca a pena...
Cuidado!...
Cuidado!...
Não deixa o momento ir-se!
Não fala!
Não interrompa!
O instante mágico!...

Abriu-se um claro!
Ele falará!
Alguém falará!
Como no tiro certeiro do arqueiro
o cavalheiresco arqueiro Zen
como a folha que
ao peso da neve
cai
dobrando-se
sem que o humano olho veja
ou perceba
o instante
de um pequeno poeta
que talvez jamais possa obter a Estesia de Tagore
simplesmente porque não é e nem será jamais Tagore
ou qualquer outro gênio
apenas
um humano comum, qualquer,
que também tem seu direito de sofrer sem dor
que é o amor
pois reflete um brilho
uma luz
um raio de compreensão
a organização do caos
talvez um beijo
um bafejo
do Criador.

FINFINE! (para Thor Rio Apa)


Fiz as pazes com os norteamericanos com Walt Withman
digo
definitivamente
antes fazia
eventualmente
num filme do John Wayne.
E o que mais?
E o que mais?
Hum...
Enterrem meu coração na curva do rio!?
Mas isso
e outras coisas,
não são completamente norteamericanas
são índias
são negras
e a integração lá não houve
nunca houve
ou ainda não houve.
Ufa! Lembrei!
Talvez em Glory
um filme verdade
primeiro pelotão de negros
na Seceção
entregam-se em holocausto pela liberdade
e havia um branco comandando junto!

Mas Walt Withman foi aquele que um dia eu não quis ler
para não copiá-lo
leio agora!
Já sem problemas
talvez copie, e pronto!
Walt Withman foi diferente
porque é de hojel
sendo de um século atrás
Dou-lhe um diploma de aquariano!
Se é que não era.
Empresto-lhe meu ascendente
aquário
se é que não o tinha também.
Era diferente porque deixou uma pista
sem as pistas complexas
da santa loucura do J. J. Benitez
medindo a tumba de Júlio Verne.
Era diferente na simplicidade  de dizer-nos a mesma coisa
como nestes versos:
" Eu me planto no chão para crescer
com a relva que eu amo:
quando vocês de novo me quiserem,
é só me procurarem
debaixo das solas dos seus sapatos
.....
Se logo de saída não me acharem,
mantenham a coragem:
se me perderem num lugar, procurem
achar-me noutro:
em algum ponto eu ei de estar parado
a espera de vocês."
Ou simplesmente:
" Desconhecido, se você vier passando
e der comigo e me quiser falar
 - por que não há de falar comigo?
E eu, por que
também não haveria de falar com você? "
Era diferente.
Era.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

HERÓI


  
HERÓI

Faltam-me palavras e imagens
para ser superbuarque
falta-me a têmpera de aço
de querer a glória da pista
e a fórmula mágica do Ayrton
falta-me até a graça
a harmonia do humor
para ser o melhor
o furor dos palhaços
tudo pedaços
a vida pedaços
os filhos pedaço
a casa pedaço
um ser de pedaços
crise
a alma em pedaços
sem solução
só a dança da chuva
e fazer chover
não faço aos pedaços
sei por inteiro
chocalho na mão
em meio ao deserto
herói na velhice
a terra arrasada
as rugas na cara
o balanço do vento
montanha no fundo
a águia no ar
a cobra no chão
danço
e choro lágrimas
cumpro
o ritual

PILOTO         (Ao Comandante Dilermando)  


Eu não tenho passaporte
e o comandante me contava histórias
lindas
fantásticas
do mundo todo
desfilavam
por sobre mim
entravam fundo nos meus sentimentos
tristes
belas
alegres
enfezadas
inconvenientes
outras tão instrutivas
um livro inteiro,
dariam um livro inteiro!
A psicologia de cabina
a vitória sobre a postura militaresca
hipócrita
- Como colocar a freira clandestinamente à bordo,
para acompanhar o agonizante sem dinheiro?
Responder a inquérito disciplinar
após decidir
replicar
não parar em nenhuma das paradas obrigatórias
fazer a rota toda por conta própria
para salvar a menina
criança
que em dado momento da vida
nos cobra a coragem
dignidade
de enfrentar os desmandos
tantos
da burrice asfixiante
o artificialismo
o formalismo burro
assassino
sempre a espera da espada do justiceiro
do futuro
de um novo tempo que sempre virá
porque é o caminho natural da evolução
tracionada
controlada
pelos canalhas insistentes
conscientes ou inconscientes
das engrenagens caducas
velhas
misérrimas
do monturo decadente
que teima em não cumprir sua parte
de ser adubo
apenas lixo reformante
do novo
sempre e sempre adentrante
penetrante
revivificante

Mas e o comandante?
E eu,
que não tenho nem passaporte?
- Não conheço o mundo!
Fale-me das Ilhas Madeiras, comandante,
da cultura portuguesa,
dos babacas de sua majestade inglesa,
dos americanos ávidos de ouro e guerras,
da África,
Nigéria,
da Índia,
e damos risadas
do piloto Salazar,
do gaúcho
com linguajar de campo
" criado no meio do bosterío "
a pilotar Boeing's
como se laça touro bravio...

Além de não ter passaporte,
não sei escrever nem livros
só poemetos
escangalhados
que nem ríma tem
ao nível dos mestrados

Bem,
a vida é assim mesmo
estas são as maiores lições
reconhecer humildemente
não saber
ouvir
procurar compreender
sorrir
e agradecer a Deus
o presente de um dia,
ter tido a oportunidade
de conversar com um ser
diferente
que em momentos divinos
(só eles o sabem)
observam o mundo
de uma cabina
poderosa
portentosa
e podem ser
por procuração de um Comando Maior
"Senhores do Universo"
pilotos do mundo
da aviação.





Poema publicado na revista Vôo do Pensamento,
da Associação dos pilotos da Varig, na coletânea dos
de 1994

LIBERTAÇÃO     (para Ami, o menino das estrelas)  


Entupido, literalmente,
de coisas para ler e estudar,
com volúpia,
com vontade,
não consigo fazê-lo,
por causa do trabalho
de ter que ganhar a vida
e río-me, com escárnio
e penso na massa,
no populacho
e penso nos ricos
a contraparte da miséria
e río-me, com escárnio
penso nos políticos e nos religiosos
nos militares e nos bancários
nos lavadores de carros
e nos superfuncionários,
sem encontrar saída para eles.
Não há saída!
 - Você é louco, dirão!
Podem dizer, mas que não há, não há...
Eu encontrei-a
e posso partilhá-la...
Encontrei-a na natureza das coisas
que nenhum superfuncionário, militar ou rico verá,
encontrei-a no som das estrelas
nos murmúrios do mar
no amor que dou, sem cobrar,
na liberdade do basta final
às instituições e religiões formais
a todas essas porcarias oficiais
que escravizam as mentes
vampirizam o ser
e os enquadram
ou para rezar
ou para ganhar dinheiro
" e serem felizes!? "
 - Ô louco!
Encontrei-a na arte de amar
mas sobretudo num mergulho que dei
interior
quando liguei a lanterna da curiosidade
e fui observando-me dentro
uns pontinhos estranhos, reluzentes,
 - mas que?
Um firmamento!?,
Estrelas?
Eu descobrí, gente!
Estrelas brilhando em mim,
lá dentro!

PAREÇO VENTO


Sou vento e tempestade
chama que invade
emana
transcende e vara
mas não sempre
sou manso, tanto
que pareço às vezes um cordeiro
suave brisa
afago na cabeça
mãos de luz
de carinho mesmo
até de amor
embora não pareça
do que eu mais gosto
é ser liberto
livre
pássaro solto
ô estorvo
se me aprisionam o corpo
a mente
o sentimento todo
então demente, eu sei,
pareço às vezes
sou tudo e nada
Deus
fumaça
lábios
músculos
semente
vida
mas talvez o mais
um pouco amigo
e isso é bom se assim pareço
raio e calmaria
no tufão
estouro bomba
dinamite
só não gosto mesmo
ser bufão
pássaro tolo
e sei que sou
pois me pareço às vezes
sou ar
sou fogo
um pouco água
e terra
pé-no-chão
quase nada
e nem pareço

PASSOS IDENTIFICÁVEIS


O seresteiro bebeu todas,
se enterneceu e tocou,
dedilhou o pinho, cantou,
namorou a lua, a rua,
as janelas, as meninas belas,
entrou em seus olhos, seus sonhos
e entre suspiros sentidos de um sexo travado,
reprimido,
engoliu a fumaça de todos os cigarros do mundo.

Então o guerrilheiro chegou,
destravou suas armas,
dilacerou almas,
ameaçou, berrou,
chateou todo mundo
antes de se esconder na solidão da dor.

Caminhou solitário.
Dobrou a esquina da depressão:
horror!
O inferno de Dante assomou,
molhou os pés  nos vagalhões daqueles
                                    mares soturnos das almas...

Recuou,
recuou, e foi refugiando-se
                        no aconchego das religiões.

Ufa! Alivio!
As igrejas, o calor!
Quanto tempo durou?
Foi tão bom!
Tão e tão bom!!
Passaram-se anos até que
                          o ataque dos bandos fanáticos
                                          o empurrassem contra o altar,
contra o púlpito das pregações,
gelado, frigorífico, cadavérico,
pós-mortem, além, pra-lá-da-Terra!

E a queda e o sucesso
ou o sucesso e a queda,
não sei bem em que ordem,
entraram alegres no salão de
                                tons alaranjados
                                       com vista para mar
                                                    e divãs, com uvas para saborear.

Ó delicia das delicias!
Não fosse o Mestre adentrar
chicoteando a todos,
pondo-os pra trabalhar.
 - Chega!
Ponham-se a produzir sementes!
Façam por merecer!
Não fiquem ai parados pelo amor de Deus!
Não sejam idiotas pois a morte vem,
a doença vem, a Aids, o câncer,
E até o bicho-papão e tudo de ruim
                        pra quem não tem um pingo de consideração
                                                                     com quem a vida te deu,
E o amor, e a alegria, e a canção,
e o calor do útero, o tesão,
e todas as coisas divinas, o orgasmo-duplo,
a vida sem aflição, só paixão, só paixão!


A porta estava aberta.

ERA UMA VEZ (ao meu filho Daniel)


Não sei o que é pior,
se partir ficando
ou ir de vez,
afundando a barca da vida,
abrindo a ferida de uma só vez

Sete anos tinhas
e mais um irmão
sete segredos havia
em um coração

A nação ferida
a angústica parida
a febre terçã
a tua vinda da escola
o hino à bandeira
e um menino gritou,
que o meu heroísmo
era apenas uma lata,
pequena e falida
na palma da mão

Sete anos tinhas
e mais um irmão
sete segredos havia
em um coração

Depois desse tempo
outro tempo pintou
que de escuro negror
nem memória ficou,
mas haviam dois pontos
de luz
e um timão
e um vento soprava
uma brisa sadia
outro dia
outra vida
e até Deus havia!

Sete anos tinhas
e mais um irmão
sete segredos havia
em um coração
Sete anos ficaram
marcados bem fundo

em dois corações.

POSSÍVEL

 
O amor impossível se torna possível além da sensualidade.
O amor impossível fica possível após o ego,
e é possível no resgate da inocência da criança interna
                                      que habita em cada um de nós.
 
 
Eu quero um amor possível !!
Decreto que todo amor é possível !!!
Exijo, em nome de Deus, que
                            todo amor deve ser concluso,
                límpido, definitivo,
ou nunca terá sido amor,
somente sombra,
arremedo,
prazer fugaz,
"maya"
ilusão de carnaval.

 

domingo, 7 de setembro de 2014

OFÍCIO

Ilmo. Sr. Juiz.
















                                                        Solicito, pela presente, e tendo em vista motivos de ordem estritamente particular (talvez temperamental), a redução da carga horária do meu regime de casamento, para meio expediente, ou um expediente de um turno só.

                                                        Ciente e concorde, desde já, com a legal redução em 25% (vinte e cinco por cento) dos benefícios advindos do regime de casamento integral, subscrevo-me,








 Atenciosamente.

ANJO


Um dia apareceu-me um anjo
e eu perguntei ao anjo:
- Que queres, anjo, tu de mim?
E antes que ele respondesse
eu fugi,
corri até a farmácia,
comprei algodões,
tapei os ouvidos
e voltei ao anjo,

para usufruir.

MAIS ALGUNS



Poesia de Passagem



A milionésima mulher
que encontrei num ônibus,
e à distância amei,
surpreendeu os meus velhos valores.
Veio falar-me!...
E disse-me que como eu,
estava infeliz,
e só,
e intranqüila...





A MULHER DE PEIXES

Deusa misteriosa,
não sofras mais!
Deixa esse altar de sacrifícios
e abraça-me forte,
que tens o afeto
maior do mundo,
e ensina-me o segredo,
o canal para o Divino.


TEMPO DE AMOR

Novamente, o tempo do amor!
Penso nela.
Outra vez: sorrir, amar, sofrer, chorar.





AMOR

Saciado, te amo pouco;
tarado, muito...
louco!

  
FELICIDADE

Felicidade é tarde de domingo,
dia de futebol,
de sol amor e gol.
  

NEM TODO

Nem todo homossexual é puto,
embora a bunda dão,
mas heteros viados hão,
e abundam, não?



NO SUBÚRBIO 1


Nos fios de luz do subúrbio,
pendurados rabos de pipas flutuam;
e a rua, alongada, desconhecida,
arranca-me saudades escondidas,
de quando?... de quando?...



NO SUBÚRBIO 2


A procura do ninho,
um casal de passarinhos
pousou no telhado.


A casa era azul,
o céu era azul,
e eu esperava.


Olhava o dia
e sabia;
olhava a casa
e sonhava.

imagina!











PARA SORRIR.


A luz e a sombra,
o mais e o menos,
tudo o que sabemos
e o que não sabemos;
o bem e o mal,
o tudo e o nada,
o barro e a flor;
doença, dor,
amor e desamor;
o ponto e a reta,
a vida correta,
a bagunça,
quando o crime começa,
estão nos limites que são a vida.
Isso precisamos compreender,
vivendo,
tanto quanto dominar,
morrendo.





CONCURSOS DE POESIA


Quem da mais?!
Quem da mais?!
Por um coração quebrado,
roto,
 amarrotado!

  


O CANTO DO BEM-TE-VI


Que tinha de diferente
o canto do bem-te-vi?
Eu soube que era um aviso
                              de Deus,
que vinha dali.

O arrepio não foi no corpo,
falou-me à alma -
pediu-me calma
              confiança e fé.

Levantei-me atento
           e fui tomar meu café.



NÃO ERA TEU



Não era teu,
era meu,
um certo tio Aristeu.

Porque gostava do cara,
à ponto de poetá-lo,
não explico pela razão;
um sentimento profundo,
o jeito de churrascar,
a vibração colorada
e um tango no caminhar.

A piscadela no olhar,
talvez,
uma cumplicidade...
e o luar,
de Porto Alegre ao Chuí,
território particular.

Meio grosso,
meio guasca,
gaúcho de arrebentar,
mas simples,
sincero mirar,
e um aperto de mão,
um abraço forte,
de arrebentar!