quinta-feira, 11 de setembro de 2014

POESIA


O momento poético!
talvez uma parada no tempo
calmaria
o medo da falta dos ventos
e junto
uma ânsia
o sentido do explorador
do não poder ficar parado
ir em frente
além dos ventos
e a impossibilidade de movimento
ficar
aceitar
esperar
é isso!
A conjunção poética!
Um sentido interior
de força
de dentro pra fora
e a impossibilidade de mover-se

...lentamente
refletidamente
a mão desliza
vagarosa
em direção à folha
busca a pena...
Cuidado!...
Cuidado!...
Não deixa o momento ir-se!
Não fala!
Não interrompa!
O instante mágico!...

Abriu-se um claro!
Ele falará!
Alguém falará!
Como no tiro certeiro do arqueiro
o cavalheiresco arqueiro Zen
como a folha que
ao peso da neve
cai
dobrando-se
sem que o humano olho veja
ou perceba
o instante
de um pequeno poeta
que talvez jamais possa obter a Estesia de Tagore
simplesmente porque não é e nem será jamais Tagore
ou qualquer outro gênio
apenas
um humano comum, qualquer,
que também tem seu direito de sofrer sem dor
que é o amor
pois reflete um brilho
uma luz
um raio de compreensão
a organização do caos
talvez um beijo
um bafejo
do Criador.

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