Eu
não tenho passaporte
e o
comandante me contava histórias
lindas
fantásticas
do
mundo todo
desfilavam
por
sobre mim
entravam
fundo nos meus sentimentos
tristes
belas
alegres
enfezadas
inconvenientes
outras
tão instrutivas
um
livro inteiro,
dariam
um livro inteiro!
A
psicologia de cabina
a
vitória sobre a postura militaresca
hipócrita
-
Como colocar a freira clandestinamente à bordo,
para
acompanhar o agonizante sem dinheiro?
Responder
a inquérito disciplinar
após
decidir
replicar
não
parar em nenhuma das paradas obrigatórias
fazer
a rota toda por conta própria
para
salvar a menina
criança
que
em dado momento da vida
nos
cobra a coragem
dignidade
de
enfrentar os desmandos
tantos
da
burrice asfixiante
o
artificialismo
o
formalismo burro
assassino
sempre
a espera da espada do justiceiro
do
futuro
de
um novo tempo que sempre virá
porque
é o caminho natural da evolução
tracionada
controlada
pelos
canalhas insistentes
conscientes
ou inconscientes
das
engrenagens caducas
velhas
misérrimas
do
monturo decadente
que
teima em não cumprir sua parte
de
ser adubo
apenas
lixo reformante
do
novo
sempre
e sempre adentrante
penetrante
revivificante
Mas
e o comandante?
E
eu,
que
não tenho nem passaporte?
-
Não conheço o mundo!
Fale-me
das Ilhas Madeiras, comandante,
da
cultura portuguesa,
dos
babacas de sua majestade inglesa,
dos
americanos ávidos de ouro e guerras,
da
África,
Nigéria,
da
Índia,
e
damos risadas
do
piloto Salazar,
do
gaúcho
com
linguajar de campo
"
criado no meio do bosterío "
a
pilotar Boeing's
como
se laça touro bravio...
Além
de não ter passaporte,
não
sei escrever nem livros
só
poemetos
escangalhados
que
nem ríma tem
ao
nível dos mestrados
Bem,
a
vida é assim mesmo
estas
são as maiores lições
reconhecer
humildemente
não
saber
ouvir
procurar
compreender
sorrir
e
agradecer a Deus
o
presente de um dia,
ter
tido a oportunidade
de
conversar com um ser
diferente
que
em momentos divinos
(só
eles o sabem)
observam
o mundo
de
uma cabina
poderosa
portentosa
e
podem ser
por
procuração de um Comando Maior
"Senhores
do Universo"
pilotos
do mundo
da
aviação.
Poema publicado na revista Vôo do Pensamento,
da Associação dos pilotos da Varig, na
coletânea dos
de 1994
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